Em virtude de o cenário brasileiro ainda ser bastante hostil ao nascimento e escalabilidade de startups, muitos empreendedores brasileiros estão voltando seus olhares para o exterior. E as oportunidades se multiplicam a cada dia que passa em países como o Canadá, Israel e Portugal.
Aqui, vamos falar do Canadá.

O país já começou 2017 bastante aquecido da sua recuperação econômica do final de 2016. No primeiro quarter do ano, seu PIB já cresceu 3,7%, mais que o triplo do seu vizinho norte-americano, os Estados Unidos, que cresceram tímidos 1,2%. O crescimento canadense expressivo se deve a uma série de fatores. Os que você, leitor, deve levar em conta são três:

– O Canadá é a economia mais diversificada das Américas, referência nos setores de tecnologia, energia limpa e meio ambiente;
– O país conta com o processo de imigração mais amigável do mundo e já anunciou que pretende receber 300.000 imigrantes este ano, uma alta de 15,9% em relação ao que recebe todos os anos;
– O visto para empreendedores (startup visa) é um dos mais simples do mundo.

Se você pensa em levar sua startup ao next level, seja para uma experiência internacional de curto ou longo prazo, como uma aceleração, a principal pergunta que você deve se fazer é: o mercado canadense compraria meu produto? Não pule, de cara, para as questões jurídicas ou de visto. Primeiro, analise com cuidado se sua solução se encaixaria no padrão da sociedade norte-americana. Esse é o meu conselho de quem vê isso todos os dias aqui.

Caso você tenha dado o check nessa pergunta, vamos agora ao mundo que você, como empreendedor, pode explorar aqui, no Canadá. Vou falar das 2 principais vias.

1. Programas de incubação e aceleração

Essa é a principal via que as startups escolhem. Isso porque, caso você seja selecionado por uma incubadora/aceleradora credenciada pelo Governo, isso lhe tornará elegível para aplicar para o Startup Visa, o visto para empreendedores.

Veja a lista das instituições credenciadas aqui.

Os benefícios e tamanho do equity que essas organizações recebem variam bastante, mas um ponto é comum: todas irão conectar seu negócio aos principais investidores e parceiros do país que mais cresce em termos de tech startups do mundo. Além disso, os programas de mentoria, treinamento e assistência jurídica que essas instituições oferecem são sólidos e reconhecidos internacionalmente. Um exemplo é o da DMZ, considerada a maior incubadora canadense e top 3 mundial.

Cada aceleradora tem sua área foco e requisitos de admissão, mas, em uma visão geral, sua startup deve ter um time forte, produto validado pelo mercado, foco em solucionar um problema da sociedade e tecnologia que possibilite sua escalabilidade.

Conheça aqui as últimas startups brasileiras selecionadas para o programa de aceleração da LatAm Startups.

Visita exploratória.

O mercado canadense, definitivamente, não é para todos. E essa é uma das principais causas do fracasso de startups que vêm ao país sem, antes, procurar entender e explorar, de perto, como as coisas funcionam por aqui. A visita exploratória, inclusive, é requisito essencial no processo de imigração para empreendedores.

Caso opte pela visita, você pode, até mesmo, abrir seu negócio no Canadá como sole proprietor e atuar como dono da sua própria empresa por um certo período de tempo. Isso permitirá que você “sinta” o mercado para o seu produto, bem como crie um poderoso networking que vai ajudar no seu soft landing no futuro, caso decida imigrar para o país.

Como você já pode ter percebido, investir em visitar o Canadá (ou qualquer outro país) antes de tomar qualquer decisão é um caminho inteligente e evitará prejuízos e frustrações futuras, que podem acabar custando sua própria empresa. Além disso, são ambientes como esse que irão expandir sua mente para novas ideias, produtos e jeito de se fazer negócios! Colocar-se em constante contato com o novo, com outras culturas e pessoas irá agregar um imenso valor à sua trajetória pessoal e profissional.

E vou dar uma última dica. Se você é daqueles que está obcecado(a) pelo Vale do Silício, comece a abrir seus horizontes para outros ecossistemas, como o de Toronto. A cidade cresce 10% ao ano em competitividade e já está à frente do Vale, Boston, Chicago, Nova York, Vancouver e outras. Além disso, com as recentes mudanças da política imigratória americana, Toronto já se prepara para ultrapassar o Vale em atração de talentos e estudantes na área de TI.