Há um foco excepcionalmente grande dedicado aos chatbots na comunidade de tecnologia nos últimos meses, graças a notícias como o anúncio do Facebook, que integrará as capacidades do chatbot no Messenger e a controversa menina “Tay” da Microsoft no Twitter.

No entanto, quanto disso realmente se traduziu em aplicações do mundo real? Já falamos em um post anterior sobre o que são chatbots e como usá-los em empresas. Estamos nos primeiros dias, mas existem algumas empresas e organizações que começaram a experimentar chatbots como parte de suas operações. Aqui estão alguns dos exemplos mais notáveis.

1) Para comprar ingressos.

O setor de eventos é enorme e pode se beneficiar enormemente com o uso de chatbots na maioria dos aspectos da compra, desde a navegação até a reserva. E uma empresa com sede em Manchester chamada TickX está tentando explorar essa área lucrativa.

Ele conseguem ajudar os consumidores a atingirem seus objetivos de forma mais rápida. Você poderia perguntar qual é o bilhete mais barato para ver um evento específico em uma data específica (ou um mês) e o bot responderá em um segundo com os preços mais baratos disponíveis.

2) Um assistente com sua reputação do Credit Score.

O Credit Score é uma espécie de pontuação de crédito, usada pelas financeiras para medir o risco que correm ao conceder crédito para uma determinada pessoa. Essa pontuação representa o histórico financeiro de quem solicita crédito no mercado. Anunciado em fevereiro deste ano, o provedor de serviços de verificação de crédito ClearScore lançou um chatbot projetado para ajudar as pessoas a melhorar sua pontuação de crédito.

Este serviço de “coaching” de pontuação de crédito estará disponível gratuitamente e fornecerá três tipos diferentes de ajuda de classificação de crédito; “Construir” destinado a jovens que não possuem histórico de crédito, “Reparar”, projetado para ajudar as pessoas com histórico de crédito ruim a melhorar sua pontuação e ‘Shape Up’, para aqueles que apenas buscam manter sua classificação de crédito saudável.

3) Como um advogado.

Um chatbot gratuito “DoNotPay” (Não Pague, em tradução livre) teria livrado pessoas de mais de 250 mil multas de estacionamento em Londres e Nova York. Criada pelo estudante da universidade de Stanford, 19 anos, Joshua Browder, esse chatbot ajuda seus usuários a protestar os bilhetes de estacionamento fazendo uma série de perguntas para determinar se o ingresso de estacionamento foi emitido de forma injusta com uma taxa de sucesso de 64%.

Depois disso, Joshua adaptou o chatbot para também ajudar refugiados a saberem se são elegíveis para proteção legal, de acordo com a legislação internacional. Uma vez que um usuário saiba que pode pedir asilo, o programa coleta centenas de informações sobre ele e automaticamente preenche um formulário de imigração. Todas as perguntas feitas pelo bot são em inglês simples, e há feedback de inteligência artificial durante a conversa.

4) Como personal stylists.

Imagine um bot que lhe diga exatamente o que serve em você e o que não, com base em suas medidas, tom e tipo de pele. Na verdade, isso agora existe graças a Sephora, que desenvolveu seu próprio chatbot no aplicativo de mensagens Kik. H&M também tem um chatbot que aprende sobre seu estilo através de suas fotos, então recomenda roupas.

5) Chatbots para pedir comida.

Em uma demo na conferência de desenvolvedores ‘BUILD’ da Microsoft, um chatbot foi usado para pedir uma pizza da Domino’s. Em vez de preencher um formulário de pedidos online, você pode criar um pedido apenas digitando/e ou falando com um bot, economizando tempo e esforço. Nos Estados Unidos, Taco Bell também entrou na ação, criando ‘Tacobot’, um chatbot que permite que você faça o pedido da Taco Bell através da plataforma de mensagens Slack.
Aqui no Brasil temos o iFood que funciona pelo Messenger, com o chatbot apelidado de iFood Guru Beta.

6) Como seu concierge pessoal.

Depois de tudo isso, a ideia de um concierge ou mordomo pessoal dentro de uma plataforma de chatbot não deve forçar a barra. Afinal, já temos Siri e Cortana – não é uma longa caminhada para imaginar versões melhoradas com funcionalidades mais ricas. Uma série de especialistas em tecnologia sugeriram que, em vez de ter muitos bate-papos individuais para funções diferentes, em vez disso, você teria um ‘chatbot para a todos governar. Este bot poderia organizar seus e-mails, diário, marcar compromissos e acessar outros serviços de bots.

7) Na medicina.

Obviamente, um chatbot nunca conseguirá consertar uma perna quebrada (nem um médico). No entanto, talvez possa dar conselhos médicos, recomendar tratamentos ou dirigi-lo para o posto médico mais próximo, com base no acesso a uma vasta biblioteca de conhecimentos (por exemplo, o site WebMD). Isso permitiria que você acessasse facilmente o conhecimento médico, economizando tempo e dinheiro (pelo menos para doenças menos graves).

8) Como um conselheiro de pensões ou finanças.

Já vimos uma série de “assistentes inteligentes” emergentes no setor de finanças e pensões. A Visa apresentou seu chatbot para ajudar consumidores a resolverem dúvidas sobre finanças pessoais, o Finanças Práticas. Com a nova ferramenta apresentada, o usuário pode esclarecer quais os próximos passos em sua vida financeira por meio do Facebook Messenger.

Grandes bancos também estão se envolvendo: o banco RBS construiu um chatbot chamado ‘Luvo’ que ajuda com problemas simples, mas comuns, como cartões de débito perdido, PINs bloqueados ou como solicitar um novo leitor de cartão.

9) Na educação.

Em entrevista ao The Verge, o próprio Bill Gates disse que está animado sobre o campo emergente da aprendizagem personalizada e da inteligência artificial por bots. Embora não haja uma grande quantidade de exemplos no mercado de educação formal no momento, o potencial para chatbots ser usado como professores é óbvio, dada a sua capacidade de se comunicar em linguagem natural e seu acesso a vastas fontes de dados online.
Há já alguns bots: o bot ‘Leslie’ pode ajudar a melhorar seu domínio da língua inglesa, enquanto a tecnologia Watson da IBM foi usada para criar o chatbot de assistente ‘Jill Watson’.

A Professora Elektra é um dos primeiros chatbots educacionais que se tem conhecimento no Brasil, desenvolvido por um grupo de pesquisa da Universidade baseado no software gratuito ALICE – um dos robôs mais populares da atualidade, vencedor de três Prêmios Loebner, competição anual de inteligência artifical. A Elektra, criada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é um tutor virtual, que tem como principal objetivo ser um instrumento de complementação no aprendizado de estudantes de cursos à distância.

Chatbots não são uma modinha ou especulação: eles já estão acontecendo e movimentando o mercado. Se você identificar alguma forma de integrá-los ao seu negócio, agora é o momento para você começar a pensar no assunto.